sexta-feira, 13 de janeiro de 2012


“Sou imatura, egocêntrica e debilmente iludida por uma alto-estima analgésica de efeito rebote. Sozinha, minúscula, infrutuosa, aquela cuja apenas precisa de um pouco de afago, um chamego, um cheiro ou um amasso quem sabe à meia-noite no sofá rasgado lá de casa. Sou daquelas cujo o alento nunca abandona o peito surrado e murcho, daquelas sem brio algum, sem esplendor e sazonamento. “Sou um quebra-cabeça de 10 mil peças, quem não tiver capacidade que tente um jogo mais fácil, eu agradeço.” […] Aprendi com os meus próprios erros que sofrer não remedia os feitos, chorar não lhe deixa mais aliviado e implorar não traz ninguém lá dos cafundós. Aprendi - em plena Segunda Guerra Mundial, averno mental - que ninguém vale tanto a pena a ponto de você deixar de se querer. […] Acabei tirando férias, dando um tempo, chega de me doer. Porque ainda uma minúscula e baixinha voz do meu eu lírico diz que além dos meus espinhos eu tenho também muitas flores. […] Posso até ser um tanto quando complicada, hiperativa e banal. Apaixonada por singelos abraços, folha de livro velho, perfume de flores, sol no retrovisor do carro e seu estranho hábito de dormir com a mão embaixo da cabeça. […] Você, tão entorpecido nessa tua indiferença sufocante, teu sarcasmo cínico e tua apatia amorosa, e acabou extinguindo-se moralmente sem saber que éramos sem começo, meio e fim. Receio em dizer que não aprecio mais teu amor voraz e seu âmago armarfanhado monótono. Porque, em suma, eu só preciso de um amor intenso, de alguém que morra de rir com as minhas piadas e goste de se balançar em uma rede, alguém que não possua preguiça de me ler e reler. Alguém que suporte essas minhas saudades imensas, bem doidas, saudades de não saber, de alguém, não sei. Saudade quem sabe de mim, de uma árvore do quintal de casa, ou do amigo imaginário que nunca existiu, do meu anjo da guarda - que está comendo ração agora -, de um amor verdadeiro, de uma praia ou da matemática de um mais um. […] Mas a gente sempre acaba em uma esquina qualquer, lembrando de alguém que poderia fazer um cafuné, um cheiro, um chamego à meia-noite no sofá rasgado lá de casa.”

Nenhum comentário:

Postar um comentário