“ A garrafa de vinho sobre a mesa estava vazia, a lareira estava se apagando. Dei um gole na bebiba mais forte que tinha no armário, peguei o último cigarro da carteira e acendi. Aconcheguei-me mais um pouco na poltrona, fazia tanto frio lá fora, e dentro de mim era pior ainda. Olhei pra janela embaçada, quase não conseguia enchergar alguma coisa lá fora, então me lembrei de Pedro, meu grande amor Pedro. Terminamos há alguns meses atrás por ciúmes, bobo demais na minha opnião. Desde então nunca mais nos falamos; Nunca mais nem vi o rosto dele, quer dizer, eu nunca mais nem senti vontade de sair de casa. Eu não me sinto segura sozinha, eu não me sinto protegida sem ninguém pra andar ao meu lado.
Eu prefiro aqui, na minha cama, no meu quarto; Eu prefiro ficar aqui nesse lugar que me traz tantas lembranças de você. Eu prefiro ficar, do que sair e te ver com outra pessoa, te cuidando tão bem quanto eu cuidei . Enquanto penssava em todos essas coisas, peguei minha bolsa na esperança de encontrar um cigarro perdido por lá, mas sem sucesso. Procurei mais um pouco, e a única coisa que encontrou foi um papel meio amaçado, um pouco antigo por sinal. Estranho, não me lembrava daquele papel, peguei e abri com cuidado, não queria rasga-lo antes de lê.. Era uma carta que fiz para Pedro, há um ano atrás mais ou menos, e nela dizia :
” Bom dia meu amor,
Sabe quem sou né ? Claro que sabe ! Sou a sua pequena, a menina que cuida de você desda hora que acorda, até a hora de dormir. Sou a menina que faz suas panquecas e um café bem quente pra você, antes de ir ao trabalho […] Sou a menina que vai te amar em qualquer estação, em qualquer dificuldade; Que vai está com você até o fim, eu juro. […] “
Eu estava com lágrimas nos olhos naquele momento, eu tinha quebrado uma promessa… Eu precisava falar com Pedro. Peguei o telefone e disquei seu número sem nem pensar duas vezes. Chamou várias vezes e até pensei que ia cair na caixa postal, mas finalmente ele atendeu:
— Oi
— Oi… Pedro. Eu disse gaguejando.
— Olívia, quanto tempo.
Eu abri um sorriso de orelha a orelha, ele ainda lembrava de mim. Ainda reconhecia aquela minha voz rouca que ele sempre adorou. — É, faz muito tempo, só queria saber como estava. O que tem feito da vida. Dei um sorrisinho.
— Eu to muito bem, obrigado. Ah, tenho trabalhado muito e saindo pouco, vida cansativa. Porém estou gostando de ganhar uns reais. Ele também deu um sorriso. Mas e você ?
— Eu ? Bom, nem saiu de casa. Você sabe, andar sozinha não é meu forte, e quase todo mundo anda fugindo desse frio que está lá fora. Pedro, eu tenho que desligar agora — a verdade é que eu não sabia mais o que falar, e desligar seria melhor. Até mais.
— Olívia, espere.
— Diga.
— Eu vou me casar… Eu a conheci logo que terminamos, ela é linda, simpática e engraçada. Mas nem se compara com o seu jeito de olhar, de andar, sorrir e falar. Ela não se compara a sua generosidade. As piadas delas nem se comparam com aquelas que você contava pra mim, e que me faziam doer a barriga de tanto rir. Você é única Olívia, é a minha garotinha ainda. Mas foi ela que escolhi, desculpa. Eu te amo.
Ele desliga o telefone (…)
Aquelas palavras foram como faca no peito, eu não levantei da cama por 2 dias, o meu travesseiro estava encharcado de lágrimas. O meu Pedro agora era de outra pessoa. O meu pesadelo tinha virado realidade; Ele não era mais meu, ainda me amava, mas não era meu. Eu que sempre o tive em minhas mãos, hoje vejo ele nos braços de outra pessoa […] Já não havia nenhuma garrafa de bebida em casa, o chão estava cheio de maços de cigarro, os cortes em meus braços ardiam. Era o dia do casamento dele, o convite estava em cima da mesa, mas eu não fui, eu não iria dar a ela o luxo de minhas lágrimas. Fiquei em casa com minha dor, eu estava bem ali, e e iria continuar até o fim “ Bárbara, (b0neca)
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