domingo, 18 de março de 2012

“Você nasce sem absolutamente nada. Não tem conhecimento algum sobre as coisas boas e más. Pouco a pouco, aprendemos a andar, falar e a se divertir descobrindo o mundo. Seus pais te ensinam a amar, a respeitar e a seguir o caminho certo. Você cresce. Primeiro dia de aula. Agora, as pessoas começam a entrar em sua vida. Mas sem interesse algum. Sem a intenção de ficar. Afinal, elas só querem uma companhia para brincar. Você cresce mais um tanto. Fica tudo complicado, nada mais faz sentido. Tudo é motivo de revolta, rebeldia e tristeza. Nada está bom. Aquelas pessoas que entraram na sua vida, acharam alguém melhor do que você. Elas se encontraram. Você se perdeu. E quando você está se acostumando a andar reto por caminhos tortos, uma pessoa aparece. Você o nomeia como o “amor da sua vida”. Ele te põe no eixo correto, te faz rir, te conhece bem, te irrita e te ama. Bem, amava até aonde você acreditava. Depois de mares de rosas, ele te deixa. Ele segue o rumo e sua vida e você fica sem rumo para seguir. Você sofre. Mas passa. Demora. Mas se vai. Você muda. E cresce mais um pouco. Você já não é mais tão sensível e sentimental como antes. Você cria um espírito masoquista. Você esfria. Não tem mais tanta vontade de viver. Mas isso é como todo o resto. Passa. Agora, se inicia a fase jovem. Você começa a criar um certo encanto pela vida. Começa a vê-la com outros olhos. Você começa a curti-la. Vai em baladas. Sai com os amigos. Mas esses ainda não são os verdadeiros. Esses, são mais para companheiros de diversão. Você quer viver novas aventuras. Se mete em brigas e experimenta o que não deve. Fase adulta. Você, agora, tem responsabilidades. Já não pode mais sair tão frequentemente como antes. Quase não tem tempo pra nada. Você trabalha. Você conhece o, talvez, verdadeiro amor de sua vida. Você se casa.Tem filhos. Você os educa segundo os ensinamentos de seus pais. Então, você começa a entender os motivos de todas as broncas que você levava. Pois agora, você as aplica. Você começa a sentir tudo o que seus pais sentiam quando o filho era você. O tempo passa. Seus filhos? Ah, eles crescem. Mas são eternas crianças para você. Outro mistério de seus pais que agora você compreende. Você os ama e os protege. Mas eles já construíram a vida deles, longe de você. Você sente falta. Mas não bloqueia. Não obriga. Agora, é você e o seu verdadeiro amor outra vez, assim como tudo começou. Você envelhece. Perde seus conhecimentos aos poucos. Não lembra mais de nada. Escuta bem baixinho. Não anda mais sozinho. Perde os dentes. Você é um bebê novamente.E um dia, como um milagre, você começa a relembrar de sua vida. De todos os detalhes. De todos os momentos. Bons e ruins. É como se fosse um filme passando diante dos seus olhos. Então, seu coração dá a última batida. E o que acontece depois? Bom, essa história ninguém tem para contar.”
— Fases da vida.

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