sexta-feira, 20 de janeiro de 2012




Tudo aquilo ainda estava tão confuso. Eu não sabia se deveria voltar, nem sabia se ao menos, poderia. Arriscar e me arrepender? Ou não arriscar e não me arrepender? Eu queria, mas confesso, tinha medo. Muito medo do que ouviria. Mas também não quero passar o resto da minha vida imaginando como seria se eu tivesse feito; isso sempre foi um grande problema pra mim: pensar! (…)

As malas já estavam prontas, posicionadas ao lado do carro. E papai já se encaminhava para guardá-las. Meu batimento cardíaco ficava cada vez mais rápido e freqüente. Ali estava eu, não preparada para o que iria fazer. Lá estava eu voltando para o lugar de onde eu jamais deveria ter saído: do lado dele.

 Certo ou errado, precisava tentar. Poderia ter outra, ou poderia não ter. Ou pode ser que já nem haja mais sentimento. Talvez, tenha se perdido no tempo. Assim como nossas conversas. Eu já nem sei se te conheço, não sei se ainda tem aqueles pequenos defeitos e suas grandiosas qualidades. Mas continuo te amando. Me pego pensando durante a noite se ainda somos os mesmos, se ainda nos aceitamos da mesma forma. Ou se tudo não passou de uma ilusão… Se nos enganamos dizendo que aquele sentimento seria eterno. Pequeno, já faz seis meses que as coisas acabaram e em nenhum momento eu deixei de pensar em você ou de te desejar a cada instante. Não importa o que eu estivesse fazendo, aquilo me lembrava você, fiquei imaginando diversas vezes o que você faria se estivesse lá.


Eles me nomeiam como idiota, mas eu digo-lhes que só sou uma eterna apaixonada. E eu sei, sei que se eles te conhecessem, me entenderiam. Afinal, estranho seria se eu não estivesse me apaixonado por você.


Olho através da janela do carro e quase posso ver seu rosto ao olhar para as nuvens. A nossa música começa a tocar no meu IPod e as lágrimas se tornam incontroláveis. Começo a brincar com os meus dedos… Velha mania, não é pequeno? Começo a recordar de tudo aquilo que eu daria tudo para esquecer. Lembro-me bem de quando me disse exatamente assim: “quando se sentir sozinha, entrelace suas duas mãos e imagine que sou eu, pois sempre estarei por perto. Mesmo que em meio a pensamento. Você estará por perto de mim sempre, pois te carregarei no coração”. Entrelacei minhas mãos todas às noites. E todos os dias desde que parti, foram como se estivesse faltando algo e agora, daqui algumas horas, eu me sentiria completa. Pela primeira vez, dentro de seis meses. Estaria com você.

Perdi-me em meio a pensamentos e chegamos a sua casa. O dia já estava anoitecendo e já era possível observar a lua cheia. Eu pedi para que papai me deixasse lá, pois eu sei que não agüentaria até que estivesse falado com você. Não saberia esperar o dia seguinte. Pressa sempre foi meu defeito e você sabia. Como sabia. Toquei a campainha e fiquei olhando o carro do meu pai se perder naquelas ruas cumpridas.

– Alicia? – Ouvi alguém dizer por trás de mim e era impossível não reconhecer sua voz meio rouca – Não sabia que havia voltado. Chegou quando? Poderia ter me ligado, acho que não me encontro em ótimas situações – Ele deu um sorriso de lado e como sabia sorrir. 

– Queria fazer uma surpresa pra você. Acabei de chegar. Não está ocupado, está? – Olhei além dele, para ver se observava algo. Ou alguém – Não quero te incomodar.
– Não… Não! Venha aqui. Meus pais estão na sala. – Ele foi andando para a parte de trás da sua casa e logo vi a piscina. Não havia mudado nada. Por um minuto, pude imaginar nós dois. Ali. Juntos. Como nos velhos tempos. Ele se sentou na beira da piscina e deixou seus pés dentro da água. E eu fiz o mesmo.
– Sentar deste modo ainda lhe acalma? – Sorri.
– Não tenho muito tempo para ficar aqui. Trabalho e escola quase não me deixam tempo para mim mesmo.

(E tempo pra pensar em mim? Você teve?)

– Estava na hora de deixar de ser vagabundo, não é? – Ri.
– Até parece que não faço nada… E você? O que tem feito?

(Te amado. O tempo inteiro. 25 horas por dia e oito vezes na semana)

– Nada que você vá se interessar. 
– Se você diz…

(As coisas haviam mudado. Confesso que imaginei que ele fosse me receber da mesma forma. Com o mesmo jeito eufórico. Mas estava faltando algo. Algo que eu faria qualquer coisa pra recuperar)

– Eu te amei este tempo todo, Pietro. Amei-te mesmo quando não podia. Pensei em você mesmo quando não devia. 
– Achei que falta de amor foi o que te tirou de mim, pequena. Afinal, você poderia ficar. Você sabia.

(Não me chama de “pequena”, Pietro. Não me desarma desta forma, garoto. Ah, se soubesse o tamanho do efeito que ainda tem sobre mim)

– Se não houvesse amor, eu não estaria aqui. Não teria pensado em você tanto quanto eu pensei. Não teria me lembrado de nós dois todo dia 17, você fez isso? Se não houvesse amor, as lembranças não iriam doer tanto; eu não iria te ligar só pra ouvir sua voz e desligaria após, só com medo de te dizer tudo que eu estava sentindo.
– As coisas mudaram Alicia. Não podemos nos enganar dizendo que ainda somos os mesmos.

– Não somos o mesmo, mas meu coração ainda é teu, meu anjo.
– Eu te amo e grito isso pra quem quiser ouvir. Mas não quero te ter novamente e ter que te perder. Não quero ter que me acostumar com a felicidade pra depois sentir saudade. Quando estou me construindo, você vem e me abala. Envolvemo-nos e você vai. Depois, você volta. Não agüento mais essas idas e vindas, pequena. Não dói só em você. Há um coração aqui que é seu, por mais que eu não queira, por mais que eu lute contra essas lembranças e pensamentos todos os dias. Por mais que eu o queira de volta, ele ainda é seu. Somente. Mas não posso desistir de tê-lo pra mim novamente. Porque eu sei, eu sei que você vai embora. E só irá restar eu. 
– Eu não vou embora, Pietro. Não me permito mais. Porque ficar sem você é uma droga. Já nem sei se agüento – As lágrimas que eu tanto lutei pra segurar agora vinham a tona – Vamos ficar juntos e concretizar nossos sonhos. Mas juntos.
– Não dá pra sonhar a todo momento, menina. 
– Dá sim, se sonharmos juntos. Pois quando estamos juntos, tudo é possível, anjo.
– Mas entenda, não estamos. Separamos-nos quando o destino resolveu nos separar. Devo dizer não agora pra você sorrir. Eu sei. Eu sei que você vai me agradecer.
– Agradecer por acabar com tudo que restava de mim? Por acabar com as únicas esperanças que me mantém em pé? Quando eu soube que eu voltaria pra cá, era como se o tudo voltasse a valer a pena, como se eu estivesse voltando para minha vida. Ela sempre foi você.


(Agora, ele deixava de olhar para mim e observava o céu estrelado)

– Aquela estrela ali – Ele apontou pra uma que se destacava entre as outras, por brilhar mais – é você, e aquela outra – Agora, ele apontava para uma que estava distante de todas as outras – sou eu. – Ele voltou a me olhar – Estamos distantes e sem você, eu me sinto sozinho. Eu estou me recuperando agora, Alicia. E não posso deixar que você destrua com tudo isso que eu demorei seis meses para construir.
– Está desistindo, Pietro? – Enxuguei as lágrimas que corriam rapidamente pelo rosto.
– Tava na hora, não é? Eu não sabia se você voltaria, nem você sabia… Ás vezes nós precisamos seguir em frente. Mesmo que a gente caía, tropece. Mas é necessário, pois o mundo não irá parar para que você concerte o seu coração. E ele não parou para que eu concertasse o meu. Só quero recuperar tudo que perdi quando você se foi. 
– Não quer me recuperar?
– Quero, mas não para lhe perder de novo.
– Eu vou ficar. Quantas vezes serão necessárias que eu te diga pra você entender?

(Ele segurou minhas mãos e olhou nos fundos dos meus olhos. Eu percebi que eu não mudei, ele ainda sabia como me fazer tremer)

– Não quero ficar mais um ano juntos e quando estivermos totalmente envolvidos um com outro, ter que te ver saindo por essa porta com uma mala na mão, Alicia. Eu não suporto isso de novo. Nós sabemos. Sabemos que seu lugar não é aqui, que seu pai vai ser transferido diversas vezes. E você vai junto, pois essa é a sua obrigação. E não lhe culpo por isto. Eu te amo. Muito, muito mesmo. E não quero que em momento algum, você deixe de acreditar nisso. Mas algumas decisões são necessárias. Desculpe-me.
– (…)
– O que me resta é deixar pra trás, não esquecer nunca, mas deixar… Tudo.
Levantei-me, mesmo sem forças, mesmo que minha vontade fosse ficar ali e chorar em seus braços. Mas eu não podia. Ali não era o meu lugar e ele já havia dito isto com todas as letras. Peguei meus sapatos rapidamente e fui andando em passos longos, lutando para não olhar pra trás. Mas eu falhei. Você sabe, eu faço tudo errado. E seus olhos fixavam-se em seus pés molhados. Você não me queria ver partir, de novo. As lágrimas faziam com que minha vista ficasse embaçada. Eu não queria ir pra casa. Queria ir para um lugar em que ninguém me perguntasse nada. Só me deixasse chorar, sozinha. Foi quando me surpreendi com a luz forte em meus olhos. É querido, você tinha razão. Eu partiria mais cedo ou mais tarde, mas dessa vez pra sempre. (Querido❥príncipe)






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