sexta-feira, 20 de janeiro de 2012


O relógio marcava três horas da manhã. Já era dia 14. Maldito dia 14. Já havia passado-se dois meses, por que eu ainda insistia em lembrar dele, toda vez? Alguns diziam que iria passar, mas conforme os dias passam, só vejo tudo piorando. Desmoronando lentamente. Por fora, sou tão equilibrada, mas por dentro, é como se tudo estivesse se despedaçando. Não sei da onde tiro tanta força para acordar no dia seguinte, na verdade, já nem sei se queria acordar. Nada parece fazer sentido… Nem essa sua ausência. Nem mesmo ela.
Não queria te ligar, havia prometido a minha melhor amiga que isso não aconteceria, mas por que diabos meus dedos insistiam em discar rapidamente seus números? É como se eu já nem tivesse o controle da situação. E talvez, já nem tenha. Chamava e você não atendia. É claro que você não iria atender, estava de madrugada e veria meu número no visor da tela. Eu deveria ter entendido a mensagem quando você me disse para não lhe procurar, mas por que ainda insistia em algo que sabia que não daria certo? Busco a dor, ou busco você – tento, até hoje, achar diferença

– Só mais 10 segundos e nada mais. Só mais 10. Só.
Nove… Oito… Sete… Seis… Cinco…
– Oi – era a sua voz. Aquela que eu adorava ouvir num susurro ao pé do meu ouvido. Aquela que eu já não ouvia há muito tempo. Aquela que eu sentia falta de ouvir todos os dias.

O barulho do som ia se afastando cada vez mais. Festa… Bebida… Outras mulheres […] Superação. Superação. Por que eu não conseguia superar? Isso já devia ter acontecido. Deixa ele se divertir, não quero lhe atrapalhar com meus melodramas.


– Julieta? Você está aí? – ele não tinha apagado meu número.
– Oi… Romeu. Desculpa ter te ligado, não quero te atrapalhar. Des-desculpa. Mesmo. – controle-se, menina!, eu repetia para mim mesma.
– Você não atrapalha. Nunca atrapalha.
– Achei que havia me mandando embora da sua vida por isso.
– Não quero entrar nessa conversa, de novo.
– Preciso de explicações. Tem noção de quantas vezes perdi o sono por causa disso?
– Foi seu orgulho.
– Estou vencendo-o por sua causa, reconheça o que faço por ti.
– Foram seus amigos.
– Afastei-me deles, por terem me dito que era besteira continuar te amando.
– Foi esse amor.
– Esse amor?


– Te amei demais, pequena.
– Então, por que me deixou?
– Não posso precisar de alguém. E precisava de você.
– Pode, só não quer.
– Não posso.
– Por que?
– Lei de sobrevivência. Para não ser deixado, tive que deixar.
– Dói?
– O quê?
– Viver sem mim.
– Machuca, dói, sufoca.
– Volte para o lugar de onde não deveria ter saído, anjo – as lágrimas não se conteram. O nó formou em minha garganta. Droga!
– Já voltei. Voltei para mim mesmo e tento me reencontrar agora. Nessa brincadeira de amar, me perdi só para te encontrar.

– Tenho morrido, Romeu. Isso não lhe preocupa?
– Morreu?
– Venho morrendo, aos poucos. Você era minha vida e com sua ida, fiquei sem ar, sem chão… E por isso, morro todos os dias.
– Não queria ter feito isso, você sabe. Minha intenção nunca foi lhe machucar.
– Mas machucou.
– Desculpe-me.
– Isso não cura a dor que se fixou aqui dentro.
– Procure em outras pessoas, o remédio.
– Só você me cura.
– Não diga isto, Julieta.
– Digo-lhe a verdade, apenas.
– A verdade machuca.
– Estou toda ferida.

– Só fique com aquilo que restou de bom do tempo que vivemos juntos.
– É isso que me encaminha para a tentativa inútil de te esquecer.
– Não posso ouvir tais palavras, preciso desligar. Não ache que não te amei, por favor. É que não posso precisar, e precisei. Não podia amar, e amei. Não podia fazer planos, e fiz. Meu erro foi te amar demais. Preciso dizer não agora, para que possamos sorrir no futuro…
– Sem você, não sorrirei.
– Adeus, Julieta. Adeus.

Aquele era o fim. De novo. Mais uma vez. E toda aquela dor voltou, como se fosse no começo. Quando eu iria aprender a seguir em frente? Quedas não adiantaram, pois já haviam sido tantas, que criei medo de andar, e agora, permaneço no chão. Sem forças para levantar. (Querido❥príncipe)














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