
A gente se conheceu em Abril de 2010, por um Orkut Fake. Era pra ser só mais um. Era. Juro que arrependo-me todos os dias por ter me conectado a internet naquele dia. Talvez, nada disso teria acontecido e eu nem estaria escrevendo isso aqui. As lágrimas não iriam escapar ao escrever tais palavras e a saudade não iria bater na porta ao ouvir aquela música. Mas acho que quando é pra acontecer, simplesmente acontece. Ele entrava todos os dias na internet (Talvez, aí já comece o problema. Internet. Distância). Nossas conversas tornavam-se mais frequentes a cada dia que passava. Confesso que não gostei dele logo de cara, isso aconteceu com o tempo. Meio sério, meio engraçado. Meio homem, meio menino. Era ele. Palavras não o descrevem. Jamais descreveram. Depois de dois meses de conversa, declaramo-nos um para o outro (que fique claro: no fake, ainda). Mas isso não era o suficiente, já que ele dizia estar divido entre eu e uma outra garota. O ciúmes vinha, tomava conta de mim e me fazia agir feito idiota. Porém, um mês depois, exatamente dia 21 de Junho, 00:41, ele me pediu em namoro. A música que tocava no meu fone de ouvido era Same Mistake - James Blunt. Confesso que a tradução não é lá grandes coisas, mas lembro-me bem que amava sua melodia. Confortava-me, como ele. Começamos a namorar. Foi o suficiente que o primeiro mês passasse para que eu me desse conta de que o sentimento não estava só naquele computador, estava em mim. Ia muito além de uma tela. Eu resolvi dizer o que sentia, e ele retribuiu tal amor. Quando foi no segundo mês, meu pai me proibiu de mexer no Orkut Fake, segundo ele, era perigoso demais. Pedi pelo amor de Deus para que não fizesse isso comigo, pois amava aquela pessoa que eu conversava.De nada adiantou. Meu pai me disse para mim começar a escrever, pois isso me ajudaria a desabafar. Criei um blog (um tempo depois, o Tumblr). Criei Web Novelas, escrevi nossa história, mas… Não adiantava. Desabafava e desabava ao mesmo tempo. Tive que deletar, foi tão dolorido quanto joelhos ralados. Duas semanas depois, eu voltei. A saudade já nem cabia em mim. Até aí, ele não entrava tanto quanto antes. Mas isso não me importava, não iria deixá-lo. Saudade vinha, mas passava quando ele entrava, nem que seja por dez minutos. No terceiro mês, ele descobriu ter um nódulo de sangue na cabeça e precisaria fazer uma cirurgia. Perigosa, já que se algo desse errado, era morte na certa. Ele fez a cirurgia, ficou um bom tempo sem entrar, por conta da recuperação. Mas, voltou. No quarto mês, descobri que ele estava namorando na vida real. Facadas doeriam bem menos.Eu ficava me perguntando se tudo aquilo que ele havia me dito era real, ou foi apenas uma farsa. Três dias depois, voltamos. Eu estava convencida de que iria esquecê-lo, mas ao mesmo tempo, recusava-me a ficar longe (ainda mais) dele. Fingi ser outra pessoa e adicionei a namorada dele, ela me disse que ele tentou convencer os pais a deixá-lo vim me ver. Mas com a cirurgia que teria que fazer, deixou de insistir em tal história. Isso me deixou feliz, por um lado. Pelo menos, ele havia tentado. Quando foi no quinto mês, ele me ligou, pela primeira vez. Minhas pernas tremiam, eu não sabia o que dizer, a ligação falhava, ele dizia coisas lindas, mil coisas passavam pela minha mente e meu coração parecia que iria sair pela boca a qualquer momento.Lembro-me de tudo aquilo que disse (do que consegui ouvir, pelo menos). Conversei até mesmo com a ex-namorada. Eles haviam terminado há pouco tempo, ele disse que me amava e teria que lutar por este amor. Em Janeiro, meu pai me proibiu de mexer, novamente, no computador. Ele estava me vigiando. Já nem deixava eu sair de casa para que não falasse com ele pelo computador de outra amiga. Não deixava meus amigos virem aqui para que não trouxesse recado dele. Minha vida estava virando um poço de decepções, de verdade. Eu disse que não iria voltar dessa vez e estava convicta disto. Mas a saudade foi maior. Em Fevereiro, eu voltei. Ele estava com outra. Aquilo doeu. Foi quando a lâmina se tornou minha melhor amiga. Cortava-me todos os dias. Mas aquilo não o trazia de volta. Fui atrás. Tola? Não, apaixonada. O que é, praticamente, a mesma coisa. Lembro-me bem de suas palavras “Devo dizer não agora para depois você sorrir”. Sorrir? Quando? Já faz quase um ano que tudo acabou e muitas vezes, ainda te quero por perto. Ainda choro ao me lembrar do fim e sorrio ao te imaginar aqui. Caso estivéssemos juntos, ano que vem eu iria vê-lo. Mas o fim chegou antes do previsto. Confesso que fui atrás dele diversas vezes depois, pena que nunca lhe disse quem eu era. Tenho perguntas a fazê-lo. Perguntas que não há respostas, pois tenho medo da reação dele. Prefiro ficar com duvidas ao ter que saber da verdade e não gostar da mesma. Ele não sabe, mas ainda cuido-o de longe. Ainda tento, ao máximo, fazê-lo sorrir.Tento conquistá-lo todos os dias. Só tento. Sem obter resultados. Nossa história teve um fim, mas o amor que habito aqui dentro do peito, não. O primeiro amor a gente nunca esquece. “E eu desistiria da eternidade para te tocar […] Você é o mais próximo do paraíso que sempre estarei […] Eu só não quero ficar sem você […] Porque eu não acho que eles entenderiam, quando tudo é feito para não durar. Eu só quero que você saiba quem sou. E você não pode lutar contra as lágrimas que não virão. Ou o momento de verdade em suas mentiras, quando tudo se parece como nos filmes. É, você sangra apenas para saber que está viva.
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