Carta-de-uma-suicida.
Bom dia, papai e mamãe. O dia não está tão bom assim, não é? Mas não se preocupe, estou em um lugar melhor. Não se desesperem e nem se encham de perguntas; não foi algo que vocês fizeram. Vocês foram os motivos de eu estar viva até hoje, mas é que não suportei o que os outros fizeram comigo. Venho morrendo durante tanto tempo, morri por dentro. Lembra-se de quando eu lhes disse que havia caído no vidro? Era mentira. Aqueles cortes eram provas da minha fraqueza. Aliviavam-me, mas chegou em um momento que nem isso estava “adiantando”. Mamãe, ajude a Aninha, por favor. Brinque com ela de boneca e prepare bolachinhas para elas. Fará com que ela sorria. E papai, dê apoio ao Dudu; leve-o para jogar futebol e em seguida, pague um milkshake a ele, o fará feliz. Sabe as minhas coisas? Então, jogue-as fora ou dê para quem precisa. Mas não guarde-as; não quero que lembrem de mim todos os dias. Não preocupem-se com aqueles meus “amigos”, são falsos. Desculpem-me por ter sido fraca, de verdade.Mas é que cansei de fingir ser forte. Não foi culpa de ninguém, além de mim. Acho que cansei de mim mesma, sabe? Cansei de me sentir insuficiente e solitária. Cansei daquelas vozes me dizendo tais coisas apenas para me deixar pra baixo […] Estarei olhando-os e dando apoio daqui de cima. Tá na hora de eu ser o anjo de vocês, já que já foram os meus. Amo vocês, anjos.
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